terça-feira, 26 de junho de 2012

II Semana de Arte de Vila Velha - ES (Gazeta Online)

Semana de Arte apresenta projetos de estudantes à comunidade, no ES

Evento leva à população várias expressões artísticas, com entrada gratuita.
Programação envolve participação de 91 unidades de ensino do município.


II Semana de Arte de Vila Velha (Foto: Sérgio Cardoso / Comunicação PMVV) 
Alunos participam da Semana de Arte de Vila Velha
(Foto: Sérgio Cardoso / Comunicação PMVV)
As atividades da "II Semana de Arte – Arte por Toda Parte" começaram na manhã desta segunda-feira (18), em Vila Velha, na Grande Vitória, com um teatro diferente: apresentado dentro de um ônibus. A programação, que envolve estudantes de 91 unidades de ensino, segue até o dia 22 de junho divulgando os projetos e ações desenvolvidos pelas escolas à comunidade e oferecendo a oportunidade de crianças e jovens mostrarem seu talento. Além do teatro, o projeto leva à população outras expressões artísticas como dança, música, cinema e fotografia.

Somente nas produções de artes plásticas são cerca de 400 telas, mais de 120 esculturas, 47 mosaicos, 238 técnicas mistas e apresentação de três documentários. O evento ainda abre espaços para artistas locais e parceiros divulgarem seus trabalhos, uma maneira de ampliar a inserção da cultura e da arte no município, segundo a Secretaria Municipal de Educação (Semed).

As atividades acontecem, simultaneamente, no Parque da Prainha, na Igreja do Rosário, no Colégio Marista, na Praça Duque de Caxias, na sede da prefeitura e nos terminais rodoviários de Vila Velha e Itaparica, durante todos os dias de evento. Todas as apresentações são gratuitas.

II Semana de Arte de Vila Velha (Foto: Sérgio Cardoso / Comunicação PMVV) 
Exposição da II Semana de Arte de Vila Velha (Foto: Sérgio Cardoso / Comunicação PMVV)


Fonte: http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2012/06/semana-de-arte-apreseta-projetos-de-estudantes-comunidade-no-es.html

sábado, 5 de maio de 2012

Scorpions e Orquestra Filarmônica de Berlim: um belíssimo show de respeito à diversidade!


“Wind of Change” é um grande sucesso da década de 90 da banda alemã Scorpions. Composta pelo vocalista que se inspirou nos "ventos de mudança" que atingiam a Europa, com a Guerra Fria terminando, o fim da União Soviética e a queda do Muro de Berlim. Em todo o mundo, este single vendeu mais de 14 milhões de cópias, tornando-o uma das músicas mais tocadas e vendidas. (Fonte: Wikipédia)

Conheço essa música desde a adolescência, e quem não a ouviu? Mas um palestrante, em um evento educacional, o Profº Júlio Furtado, a demonstrou como reflexão final de seu tema “Aprendizagens Significativas”, apresentando-a de uma forma ainda mais bela:

"Há 23 anos, o muro de Berlim era derrubado, como um marco da reunificação da Alemanha. Esse muro dividia a cidade de Berlim ao meio. O lado ocidental era capitalista e o lado oriental era socialista. 

O maior sucesso musical do lado ocidental nessa época era o rock e a banda de maior sucesso era Scorpions. No lado oriental, socialista, era proibido tocar rock. O maior sucesso musical era a orquestra filarmônica de Berlim Oriental e a música clássica era o único estilo musical nas rádios. 

Quando o muro de Berlim foi ao chão, os integrantes da banda Scorpions sugeriram que fizessem um show juntos com a orquestra filarmônica de Berlim Ocidental como um símbolo da integração entre os dois povos.

A princípio, a ideia foi considerada absurda, em função das diferenças que existem entre os dois grupos musicais. A começar pela forma de se vestir. Os músicos da orquestra se vestem de fraque enquanto os músicos da banda de rock se vestem de casacos de couro. O maestro deu a solução para o problema: ele mandou fazer um fraque de couro. Dessa forma, ele não deixaria de ser maestro e se aproximaria dos músicos da banda de rock. Da mesma forma, o baixista do Scorpions vestiu um terno sem gravata e deixou-o aberto, aparecendo o peito. O terno era para se aproximar dos músicos da orquestra e o peito aberto era para reforçar a identidade de roqueiro. Da mesma forma, os produtores duvidaram que eles pudessem integrar numa mesma música bateria, violino, guitarra, flauta doce, contrabaixo e harpa. A solução que eles deram foi: quando os instrumentos "barulhentos" como a bateria e a guitarra tivessem de tocar, os instrumentos suaves como a harpa e a flauta doce se calariam e quando todos tivessem que tocar juntos, tocariam a mesma melodia para ganharem mais força. Ensaiaram seis meses e conseguiram gravar juntos, seu CD de maior sucesso ‘Moments of Glory’

Vamos usar esse feito para refletirmos sobre as possibilidades de integrar diferenças. Esse show nos mostra que quando há respeito, diferenças juntas geram resultados inimagináveis!"

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Exposição do acervo MASP "Olhar e ser visto - Retratos e Auto-retratos"


Na exposição OLHAR E SER VISTO podem ser apreciados diversos retratos do Acervo MASP, como as 5 pinturas de Goya, dentre elas o Retrato de Fernando VII (imagem).

Período: Sem previsão de encerramento - Acervo MASP

O retrato é talvez o mais poderoso gênero da história das artes visuais, com uma presença que se estende desde pelo menos o século 270 a.C. até os dias de hoje. O fascínio que exerce sobre a imaginação humana é único: continua a ser um elo privilegiado entre a razão e o espírito mágico, que não abandona a humanidade. Isso porque o retrato tanto se entrega ao olhar do observador como o observa atentamente, o que pode ser ao mesmo tempo reconfortante e ameaçador.

As culturas ditas primitivas não deixam de ter razão quando instruem seus membros a negarem-se ao olho da câmera: não é só a aparência do fotografado que a máquina captura, mas também seu espírito, sua essência. O retrato é, assim, um constante exercício de psicologia social e individual.

O RETRATO DA POMPA

Os primeiros retratos autônomos (que não mais são parte da arquitetura) surgem no século 13 e ganham impulso com a invenção da portátil tela de pano como suporte (o mais antigo exemplo da pintura sobre tela é uma madona de 1410). Os retratos deste grupo são ditos "de aparato". A imagem construída pelo artista deve ser impressionante, o retratado é mostrado como alguém especial, subtraído quase aos acidentes do efêmero. Daí serem de certo modo atemporais: não fosse pelas roupas (retratos de mulheres despidas sempre foram aceitáveis mas de homens nus, depois dos tempos clássicos, só na arte contemporânea), que ajudam a configurar e situar os que as envergam, os retratados quase estariam fora de um lugar e de uma época determinados.

São exemplares neste sentido os retratos assinados por Goya, Van Dyck ou Hals: os retratados estão sobre fundo neutro e se deixam ver em poses hieráticas, afirmativas, quer apareçam de corpo inteiro ou de meio corpo. São retratos de pessoas e também de alguma coisa, sobretudo do poder.

Os primeiros retratos foram os da realeza, do alto clero e da aristocracia, donde serem naturalmente "de aparato" (no Renascimento surgem os retratos das pessoas mais comuns ou, em todo caso, os burgueses). Como toda pintura de gênero, o que primeiro se retrata aqui é o próprio código a que a obra pertence - no caso, a própria pompa, a ideia da pompa; o retratado é meio para pintar-se a pompa em si mesma. O retratado existe porque a pompa existe.

O RECURSO À CENA

Os retratos deste grupo apresentam seus modelos junto a alguma coisa, fazendo alguma coisa, representando alguma coisa: compõem, com as outras pessoas ou coisas representadas, uma cena que lhes empresta ou sugere uma qualidade própria. De algum modo, todo retrato compõe uma cena, em particular os retratos de aparato; aqui, porém, a cena é mais explícita e ampla e a narrativa que propõe é mais extensa, se não mais complexa. Várias das obras deste grupo relacionam-se àquelas exibidas entre os retratos da pompa, enquanto outras, em número não menor, remetem-se ao grupo dos retratos modernos, de que poderiam fazer parte com igual propriedade.

Típicos do modo deste conjunto são os retratos por Toulouse-Lautrec e Manet.

É de 1310 a recomendação de Pietro d Abano de que o retrato deveria expressar a aparência e a psicologia, ou a alma, do retratado - algo mais viável nos retratos deste grupo e do próximo, do que naqueles de aparato. Daí não se deve concluir, porém, que a semelhança sempre tenha sido tudo, no retrato: antes da modernidade proposta pelo século 19, conforme o princípio da dissimulação o realismo deveria submeter-se aos interesses contextuais da representação, razão pela qual sobretudo nos retratos de pompa ou aparato os eventuais defeitos físicos dos modelos eram diminuídos ou ocultados. Na contemporaneidade, o corpo humano em seu realismo mais cru, em suas falhas e decadência, será mostrado sem disfarces.

EU MESMO

Atração narcisista pela própria imagem; tentativa de sair de si mesmo para enfim ver-se melhor, ver-se de outro modo; a simples comodidade de ser o modelo mais disponível; no início de sua história, esforço do artista para que o vissem como aqueles que ele próprio retratava, isto é, como um membro das classes altas, das profissões liberais (intelectuais) e não das manuais, que dependiam do esforço físico: tudo isso se encontra na origem e na história do auto-retrato.

Rembrandt, com a retratação insistente de si mesmo, não raro impiedosa, foi um equivalente dos poetas que repetidamente mergulham em si para vislumbrar pelo menos um pouco da natureza humana.

Fonte: http://masp.art.br/masp2010/exposicoes_integra.php?id=89&periodo_menu=cartaz






segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Desenhos com Alma


É na face que se concentra a expressão das emoções. Os olhos são o meio mais rico da expressividade humana e o conjunto facial (boca, sombrancelhas, maçãs do rosto, nariz, testa...) agrega e afeiçoa os estados de ânimo, sejam espontâneos ou mascarados. Nossas interações e mensagens são reforçadas através da expressão facial.

O desenho realístico de retrato deve ter como ideal a representatividade desta expressão facial para que não seja uma simples tentativa de transpor características fisionômicas do retratado. Se assim for, o desenho não tem vida, não tem beleza, não tem emoção. Fica com a aparência de que se desenhou uma estátua e não uma pessoa com vida, com história, com sentimentos. Há que se desenhar a pessoa por dentro e por fora.

Ao me propor a fazer um desenho, desafio-me a desenhar a alma do retratado. Ao contrário, não há valor! E não há realização de minha parte...

É nessa busca que transcende o perfeccionismo técnico do desenho (o que seria chamado de academicismo), que encontro uma infinitude de motivos para realizar meu trabalho!

Compartilho com vocês uma citação incrível de Abanindranath Tagore, em sinergia com o que escrevi acima:
"Depender unicamente da vista, negligenciando o espírito, é ver e pintar apenas o lado superficial da forma. Para adquirir o verdadeiro conhecimento da forma, é preciso tudo eliminar com o reflexo da nossa alma e estar pronto para receber a luz que emana das coisas visíveis e invisíveis."

E, por falar em desenhos com alma, posto alguns...

Rúbia Zavarese Secchin
Alegria
2010. Grafite sobre Papel
0,57m X 0,75m


Rúbia Zavarese Secchin
Empolgação
2010. Grafite sobre Papel
0,57m X 0,75m

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A Arte do nosso tempo

Texto de José Roberto Sadek
Imagens selecionadas na web


Em todos os períodos históricos, tivemos produções simbólicas representativas. As primeiras de que temos registro vêm de 30.000 a.C. Eram pinturas em cavernas. Hoje, discute-se se aquilo era Arte. Naquele tempo, provavelmente, ninguém se preocupava com isso. Era uma produção visual carregada de valores simbólicos e fazia parte de rituais complexos e caros à sociedade da época.

Pintura Rupestre, Lascaux, França

Atualmente, convivemos com produções simbólicas de muitos tipos, que utilizam várias mídias. Há milhares de anos, como agora, essa produção é uma das formas de construir as bases da convivência grupal, de dar referências da história do grupo e de suas tecnologias, de mostrar as utopias, de criticar o presente e de entender a própria sociedade com suas características peculiares e enorme diversidade. É esse o papel que cabe à Arte Contemporânea, que, como o nome já diz, é a produção artística do nosso tempo.

Na época do Renascimento e nos séculos posteriores, a perspectiva trouxe para a Arte a possibilidade de representear espaços e pessoas com precisão matemática. A Arte assumia o papel de, entre outros, descrever a realidade.
Com o tempo, as obrigações da Arte Visual foram mudando devido a diversos fatores, como o desenvolvimento tecnológico, a evolução social e também em função do próprio conceito de Arte, que envolve mudar, reinventar sonhos, experimentar e ampliar os horizontes. Também é inerente ao conceito de Arte levar a pessoa a refletir, a pensar e a indagar sobre seu ambiente, sobre si e a respeito da própria Arte. À medida que esses fatores (tecnológico, social e artístico) se alteram, a Arte também muda. Tais variações não são, necessariamente, acompanhadas pelo grande público.

  Autor: Rafael Sanzio
Obra: Escola de Atenas
Data: 1506-1510 - Renascimento
Técnica: Afresco
Dimensões: 500 cm X 700 cm
Local: Palácio Apostólico, Vaticano

O realismo da pintura – a qualidade de copiar a realidade ou de idealizá-la com formas reconhecíveis – começou a ser desarticulado com o Impressionismo. A fotografia representava a realidade tão bem ou melhor que a perspectiva, e o Impressionismo mostrava as impressões sobre a realidade.


Autor: Jean-François Millet
Obra: As Respigadeiras
Data: 1857 - Realismo
Técnica: Óleo sobre tela
Dimensões: 359 cm X 598 cm
Local: Museu D´Orsay, Paris

O espectador não-especializado de hoje parece estar com sua compreensão aproximadamente na estética proposta pelo Impressionismo, segundo a qual as formas são reconhecíveis, apesar de não estarem iconicamente representadas. As exposições com longas filas e visitadas por milhares de pessoas são de artistas impressionistas, enquanto a Arte Contemporânea atrai poucos apreciadores. Diretores de museus e curadores relatam incansavelmente a dificuldade de apresentar esse tipo de Arte, ao passo que as mostras de design ou de Arte Acadêmica são bastante procuradas pelo público. A Arte do nosso próprio tempo não é compreendida. Paradoxalmente, a sociedade atual entende bem a Arte de tempos passados.

Autor: Pierre Augiste Renoir
Obra: Jovens Meninas ao Piano
Data: 1892 - Impressionismo
Técnica: Óleo sobre tela
Dimensões: 116 cm X 90 cm
Local: Museu D´Orsay, Paris


As explicações podem ser muitas, entretanto nenhuma é definitiva ou exclusiva. O fato é que depois do Impressionismo não foi mais necessário pintar de forma realista. Ele permitiu ao código visual sair da transparência e ganhar maior visibilidade. A pincelada, a estrutura da composição, a combinação e a justaposição de cores e linhas construtivas, antes escondidas do espectador, passaram a ser mostradas. A exposição desses códigos internos não impedia que as formas pintadas fossem reconhecidas. Os componentes da Arte deixam de ser transparentes, já que ninguém os via, e passam à opacidade, na qual podem ser percebidos, apresentando uma representação de realidade que ainda pode ser identificada. Reconhecer as formas é confortável, pois estabelece um termo de comparação visualmente simples, mas bem eficiente: “conheço a realidade e a reconheço na pintura; comparo a tela à imagem de realidade que tenho na memória”. Se as formas pintadas não estão muito iguais à realidade, o espectador as completa. Caso estejam muito diferentes, rejeita-as.

Com a passagem para o século XX e após várias décadas, a forma reconhecível deixa de ser tão importante para a produção artística. Os códigos da própria Arte ganham força como tema e como forma. Cubismo, Dadaísmo, Fauvismo, Suprematismo, Expressionismo e mais uma série quase interminável de “ismos” do século XX analisaram e desconfiguraram a representação realista. Ao mesmo tempo, levaram os códigos internos da pintura à grande exposição e a seu próprio questionamento. Formas que queriam ser figuras conviviam, lado a lado, com figuras que gostariam de ser apenas formas. Até os limites físicos da pintura foram experimentados e repensados, sendo mais tarde abolidos.
Autor: Henri Matisse
Obra: La Musique
Data: 1939 - Fauvismo
Técnica: Óleo sobre tela
Dimensões: 115,2 cm X 115,2 cm
Local: Albright-Knox Art Gallery, Buffalo, NY


Na Arte, vieram produções simbólicas de vários tipos, desde politicamente militantes a abstrações formais, as quais, naquele momento, foram chamadas de “alienadas”. Entre os abstratos, estavam os concretos, que usavam formas geométricas. Os demais apresentavam formas orgânicas e táteis. Pincéis eram substituídos por mãos, tubos de tintas e, até mesmo, pela força da gravidade, que ajudava as tintas a escorrerem pelas telas.

Autor: Piet Mondrian
Obra: Composição em Vermelho, Amarelo, Azul e Preto
Data: 1921 - Abstracionismo
Técnica: Óleo sobre tela
Local: Museu Nacional da Arte Moderna, Paris

A Educação, que deveria sistematizar e sintetizar a produção cultural, embrenha-se por caminhos isolados, fica oca e sem sentido. Temos uma Educação fora de sintonia com o mundo e a Cultura e, portanto, com a Arte. Paralelamente, novas mídias surgem rapidamente. A comunicação de massa avoluma-se e oferece conceitos e conteúdos ao público, traduzidos com facilidade e superficialidade, os quais, mesmo não sendo da necessidade do espectador, eram recebidos e assimilados por enorme contingente populacional, pela facilidade de comunicação e agressividade da oferta.

Essa maneira de comunicar facilita a compreensão e evita que o público precise pensar para entender. Para piorar, pensar e refletir tornam-se exercícios cada vez mais raros quando não há educação que faça sentido.

Na segunda metade do século XX, a Arte busca diferentes maneiras de experimentar e de ampliar os limites da própria expressão. O conjunto da produção simbólica é o que representa a sociedade, e não mais uma linguagem específica ou uma modalidade de expressão artística. Na área estritamente visual, muitas são as formas de expressão, desde histórias em quadrinhos e caricaturas até as tradicionais pinturas. Cada uma trabalhava com suas especificidades de público, de mídia e linguagem. Artistas, críticos e teóricos das Artes Plásticas valorizaram e escolheram o caminho da pesquisa, mais reflexivo, inquietante e incômodo para os tempos em que vivemos.

Autor: Evandro Carlos
Obra: Jardim
Data: 1986 - Contemporânea
Técnica: Mista sobre tela
Dimensões: 73 cm X 100 cm
Local: Reprodução fotográfica de autoria desconhecida

Falar em realismo não faz mais sentido, tampouco falar em pintura ou escultura. Os códigos da Arte, criados e desenvolvidos por séculos, são dissolvidos e abandonados por ela mesma. Começa a Arte Contemporânea. Não há mais “ismos”, há artistas; não existem mais pinturas ou gravuras, mas simplesmente Arte. A morte da pintura e a da Arte foram anunciadas várias vezes no século passado. Sobreviveram, justapostas e/ou embaralhadas a outras numerosas formas de expressão. Reconhecer o que é Arte é cada vez mais difícil e complicado. Há uma teoria para cada artista. Para conviver com a Arte Contemporânea, entretanto, é necessário conhecer vários assuntos. De taoísmo a trânsito, de física a moda, de fotografia a filosofia, de produtos industriais a sucatas, cada artista requer uma base de conhecimentos para ser entendido. É preciso saber sobre História da Arte; ter referências sociológicas; navegar pela Psicanálise. Defrontamo-nos com produtos que parecem simples à primeira leitura, mas que ficam complexos, completos e mais fascinantes quando nos aproximamos e descobrimos as referências necessárias à sua compreensão. Curiosamente, é como no Impressionismo: agrada no primeiro contato e aumenta de valor à medida que conhecemos mais e melhor suas referências e sua poética.

Acostumados com a comunicação de massa que impõe conteúdos e formas cada vez mais simples e mais fáceis de serem entendidos, o público perdeu o hábito da atenção mais detida e do mergulho um pouco mais profundo que a Arte requer. No entanto, a Arte do nosso tempo resguarda-se de leituras rápidas e precipitadas, e requer conhecimentos para revelar suas (e nossas) mensagens.
Autor: Nuno Ramos
Obra: Fruto Estranho
Data: 2010 - Contemporânea
Técnica: Mista
Local: Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro

Por isso, museus e institutos de Arte trabalham com mediadores que oferecem ao público chaves de intelecção e de aproximação com a Arte Contemporânea. Não é função deles explicar o que vemos ou definir o que seja Arte. Na verdade, eles religam-nos aos significados fundamentais e aos conteúdos necessários para melhor nos relacionarmos com ela. Eles fazem a mediação, mas a relação é – e deve ser – nossa. Não existe instituição de Arte séria que prescinda do setor educativo.

Se ficamos mais imediatistas, menos educados e mais distantes de nossa produção simbólica e, ao mesmo tempo, lidamos com um volume de informações inédito na história da humanidade, ainda temos a chance de nos educar para percebermos nossa Arte, nossos sonhos, nosso tempo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Traduzir-se

Ferreira Gullar

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.


Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?

De Na Vertigem do Dia (1975-1980)

terça-feira, 12 de julho de 2011

As vocações gêmeas da arte e do trabalho

por David Michael Phelps

Publicado em 30 de maio de 2006



O homem trabalhador é no fundo um artista. Muitas vezes o termo artista denota uma vocação de lazer, uma profissão esotérica para boêmios famintos, longe do mundo comercial da utilidade. Mas essa é uma visão um tanto curta que subtrai a essência tanto da arte quanto dos negócios. Na verdade, arte e negócios são subitens da categoria maior do empreendedorismo.

Para chegarmos a uma visão mais clara da arte, dos negócios e das semelhanças entre os dois, podemos recordar os escritos do papa João Paulo II, o grande. Um dos artistas favoritos do antigo pontífice, o poeta polaco Cyprian Norwid (1821-1883) escreveu que “a beleza é para dar entusiasmo ao trabalho, o trabalho para elevar”. João Paulo II fez essa citação não na Centesimus Annus (1991), nem na Sollicitudo Rei Socialis (1987) ou na Laborem Exercens (1981), suas encíclicas sociais, mas na Carta aos Artistas de 4 de abril de 1999. A arte (o serviço da beleza) e os negócios (o serviço do trabalho) são dois esforços de um movimento comum, duas formas de uma vocação comum. Essa vocação é a vocação para ver e para servir, “para nos entusiasmar” e para “nos elevar”. Os trabalhadores fazem isso ao nos dar bens e serviços, os artistas o fazem ao nos dar beleza.

Arte e trabalho são somente duas manifestações de um traço humano essencial: a criatividade. “Na criação artística, mais do que em qualquer outra atividade”, escreveu João Paulo II na Carta aos Artistas, “o homem revela-se como ‘imagem de Deus’, e realiza aquela tarefa, em primeiro lugar plasmando a ‘matéria’ estupenda da sua humanidade e depois exercendo um domínio criativo sobre o universo que o circunda” (§ 1). Esse relato da arte soa muito parecido com o do trabalho, que encontramos na Centesimus Annus:“a terra não dá os seus frutos, sem uma peculiar resposta do homem ao dom de Deus, isto é, sem o trabalho: é mediante o trabalho que o homem, usando da sua inteligência e liberdade, consegue dominá-la e estabelecer nela a sua digna” (§ 31).

A diferença aqui é que o trabalhador colhe o fruto da terra, ao passo que o artista colhe “a ‘matéria’ estupenda da sua humanidade”. O método é o mesmo: ao exercer sua liberdade com inteligência e criatividade, tanto os artistas quanto aos trabalhadores aproximam “o mundo visível como um vasto campo no qual a inventividade humana pode se afirmar”.

Essa idéia é semelhante a algo que Michelangelo (1475-1564) certa vez disse sobre sua obra-prima, Davi. Quando perguntado como criara essa escultura, o mestre respondeu que Davi sempre estivera na pedra, e que ele somente retirara tudo o que não estava nele. Tanto as lascas de mármore de Michelangelo quanto o “vasto campo” de João Paulo II são coisas em potencial. Na Centesimus Annus João Paulo II explica o empreendedor como alguém com visão para enxergar o potencial, como alguém com “a capacidade de conhecer a tempo as carências dos outros homens e as combinações dos fatores produtivos mais idôneos para as satisfazer” (§ 32). Um olhar arguto, uma mente criativa e uma iniciativa física fazem com que coisas potenciais se transformem em coisas atuais.

Mas, para que fim? Trabalho e arte devem ser expressões de criatividade, no entanto de quem e para que expressam algo? “Aqui tocamos num ponto essencial”, escreve João Paulo II para o artista.

Àqueles que percebem em si mesmos um tipo de centelha divina que é a vocação artística – como poeta, escritor, arquiteto, músico, ator e assim por diante – sentem ao mesmo tempo a obrigação de não desperdiçar esse talento, mas desenvolvê-lo, para colocá-lo ao serviço do próximo e da humanidade como um todo.

Descoberta, percepção, mente criativa – esses não são somente aspectos da mentalidade empreendedora, mas imperativos para servir. Porque “é através do livre dom de si que o homem verdadeiramente descobre a si mesmo”, os produtos desse aspecto do eu chamado criatividade deve ser orientada para as outras pessoas. A criatividade acha sua completude quando é ‘criatividade para’. Quando uma pessoa inventa – isso é, descobre – um novo bem, uma nova combinação de bens, a questão implícita é “bom para quê?” Bom para mim é uma resposta possível, bom para os outros é outra resposta. E desejar o bem para os outros é o fundamento do amor.

Se a arte e o trabalho são vocações gêmeas, isso quer dizer que os artistas e os homens de negócios também são gêmeos. Talvez ambos sejam empreendedores lidando com materiais diferentes. Muitas vezes os artistas têm algum pequeno problema para saber que têm uma vocação criativa (daí o estereótipo do artista morrendo de fome), e, no entanto, na maioria das vezes não se vêem como servos. Ao contrário, os homens de negócios nem sempre se vêem como detentores de uma vocação criativa, todavia, sabem que devem servir ao cliente para sobreviver no mercado. O artista é um trabalhador; o trabalhador é um artista. Cada um pode aprender com o outro, e, talvez encontrar incentivos para ver que a vocação de criar e a de servir são de muitos modos, a mesma vocação.

Tradução de Márcia Xavier de Brito

segunda-feira, 26 de julho de 2010

sábado, 12 de junho de 2010

Bebês, Crianças, Mães, Avós, Casais – Laços de Afeto

Captar as expressões faciais mais espontâneas ou mesmo as propositais para compor um belo retrato é uma graça divina, algo que vale a pena eternizar: momentos que viram arte!

Na sequência, retratos que foram celebração de afeto... 

Bebê

Rúbia Zavarese Secchin
Bebê
1999. Grafite sobre Papel
21cm X 29,7cm

Bebê Sheila

Rúbia Zavarese Secchin
Bebê Sheila
2000. Grafite sobre Papel
29,7cm X 42cm

Chá de Avós

Rúbia Zavarese Secchin
Chá de Avós
2003. Grafite sobre Papel
42cm X 59,4cm

Maternidade

Rúbia Zavarese Secchin
Maternidade
2005. Grafite sobre Papel
42cm X 59,4cm

Bodas de Prata

 
Foto de observação

Rúbia Zavarese Secchin
Bodas de Prata - Jorge e Maria José
2005. Grafite sobre Papel
21cm X 29,7cm

Ana Júlia

Foto de observação

Rúbia Zavarese Secchin
Ana Júlia
2009. Grafite sobre Papel
42cm X 59,4cm

Dona Júlia

Foto de observação

Rúbia Zavarese Secchin
Dona Júlia

2010. Grafite sobre Papel
21cm X 29,7cm

Exposição "Receita de Mulher"

A Exposição “Receita de Mulher” foi produzida em 2000, ano em que o Brasil homenageava Vinícius de Moraes pelos 20 anos de sua morte e saudade de um poeta excepcional, célebre personagem da Literatura Brasileira.

Apaixonada por desenhar a figura humana feminina, ao ler o poema Receita de Mulher, imaginei cada cena em cada verso composto minucioso e belissimamente pelo nosso ilustre poeta – fato que proporcionou unir o que mais aprecio: a poesia e o desenho.

Retratei seus versos buscando conjugar a beleza do poema à beleza dos desenhos, como se pudesse lhe dar vida.

Nessa série de desenhos que seguem abaixo, retrato a beleza feminina idealizada por Vinícius de Moraes e, possivelmente, por muitas mulheres, imprimindo a sensualidade que requer, leveza e romantismo nos traços.

Pálpebras

Rúbia Zavarese Secchin
Pálpebras
2000. Grafite sobre Papel
42cm X 59,4cm

(...)É preciso, é absolutamente preciso que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços alguma coisa além da carne: que se os toque como no âmbar de uma tarde.(...)

Semovente

Rúbia Zavarese Secchin
Semovente
2000. Grafite sobre Papel
42cm X 59,4cm


(...)Olhos então nem se fala, que olhe com certa maldade inocente. Uma boca fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência. É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas no enlaçar de uma cintura semovente.(...)

Saboneteiras

Rúbia Zavarese Secchin
Saboneteiras
2000. Grafite sobre Papel
42cm X 59,4cm

(...)Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras é como um rio sem pontes. Indispensável.(...)

Sensual

Rúbia Zavarese Secchin
Sensual
2000. Grafite sobre Papel
42cm X 59,4cm
(...)Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida a mulher se alteie em cálice, e que seus seios sejam uma expressão greco-romana, mas que gótica ou barroca e possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas. (...)

Mistério

Rúbia Zavarese Secchin
Mistério
2000. Grafite sobre Papel
42cm X 59,4cm

(...)Preferíveis sem dúvida os pescoços longos de forma que a cabeça dê por vezes a impressão de nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso, e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior a 37 graus centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferencia grandes e de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão que é preciso ultrapassar.(...)

Olhos Fechados

Rúbia Zavarese Secchin
Olhos Fechados
2000. Grafite sobre Papel
42cm X 59,4cm

(...)Que a mulher seja em princípio alta ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher de sempre a impressão de que se fechar os olhos, ao abri-los ela não estará mais presente com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber o fel da dúvida.(...)

Inumerável

Rúbia Zavarese Secchin
Inumerável
2000. Grafite sobre Papel
42cm X 59,4cm

(...)Oh, sobretudo que ela não perca nunca, não importa em que mundo, não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade de pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre o impossível perfume; e destile sempre o embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina do efêmero; e em sua incalculável imperfeição constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação imunerável.